Relato de parto humanizado: a chegada do pequeno Enrico

Hoje meu pequeno grande amor completa dois meses de vida, e eu pensei comigo, “quando vou conseguir parar para escrever o meu relato de parto?”. Então resolvi aproveitar a sonequinha dele para fazer isto, de um jeito breve e não muito formal, pois não sou muito boa nisso (risos).

Em dezembro de 2013, resolvi “parar de cuidar”, ou melhor de prevenir a gravidez. Confesso que meu marido não ficou muito feliz com a ideia na época, pois tornar-se pai o deixava assustado. Segundo ele, não se sentia preparado para tanta responsabilidade, mas seguimos em frente. Festamos muito, passamos nossas férias de final de ano em Floripa/SC com um casal de amigos (Maisa e Diego) e aproveitamos bastante – tanto nós, como eles, que também tinham planos de engravidar em 2014.

Tive o primeiro dia de atraso da minha última menstruação e contei correndo para a Maisa, mas no fundo eu achava que era psicológico pois nunca havia me descuidado antes. Acordei no dia seguinte e nada, então resolvi fazer um teste de farmácia (sem avisar o Douglas, meu marido) e batata! Dois pauzinhos vermelhos e muuuuitas emoções! Quase dois meses depois, a Maisa também confirma a gravidez dela e ficamos muito felizes, grávidas como havíamos desejado desde a adolescência. E como combinado, trocaríamos os bebês para o batismo.

A partir daí começamos a busca de informações em relação ao parto (eu já estava mais do que certa que faria cesárea). Certo dia, a Maisa questionou sobre parto normal, achei um absurdo mas disse que ia pesquisar (a melhor coisa que eu fiz!). Conversei com o Douglas sobre o assunto e ele sugeriu que me informasse melhor, mas já disse que tinha preferência pelo parto normal, porém a decisão final era minha e que ele me apoiaria independente de qual fosse.

Assistimos o documentário “O Renascimento do Parto” (como desejar uma cesárea depois disto?), que foi fundamental para a minha decisão. Eu e a Maisa fomos buscar apoio ao parto natural em Maringá/PR, encontramos o grupo Maternati, que presta apoio às gestantes e mães. Começamos a participar das rodas de conversa, onde conhecemos a Renata (Doula) que nos incentivou ainda mais. Logo decidimos, o parto tinha que ser natural (burocracias a caminho).

Não é nada fácil conseguir um médico, um hospital e pessoas que apoiem o parto natural humanizado sem intervenções e sem “palpitações” (as pessoas palpitam demais sem saber). Em meio a tantas buscas, conhecemos o Dr. Edson Rudey, um dos poucos médicos que acompanham este tipo de parto aqui em Maringá.

Super ansiosa e grávida do meu primeiro filho, descobri que era um menininho no terceiro mês, e demos a ele, o nome de Enrico. Ele completaria 40 semanas no dia 25 de setembro, então a chance dele nascer no dia 12, como eu queria, era quase zero. Eu nasci no dia 12 de dezembro e meu marido em 12 de março. Um dia antes entramos na semana 38, eu estava muito cansada foi o único dia de toda a gestação em que eu não fui trabalhar por indisposição.  Tirei a tarde para descansar e, de noite, fui para a hidroginástica e senti uma fisgadinha bem embaixo na barriga, mas não achei nada fora do normal para 38 semanas.

Recebi uma mensagem no celular das minhas amigas perguntando do Enrico e eu logo respondi: “ainda nada meninas, mas bem que ele poderia nascer amanhã,  não é?” (dia 12). Chegando em casa, muito cansada e com sono após hidro e jantinha, fui logo colocar meu pijama e me deitar para “dormir”… a bolsa rompeu assim que me deitei as 23h. Olhei para o Douglas, ele levou um susto feliz (sabem como é? risos), lembro que falei pra ele toda feliz: são onze horas da noite, ele vai nascer dia 12. Bom, o fato da bolsa ter rompido não era um bom sinal para quem desejava ter o parto natural.

Liguei para o Dr. Edson e fomos para o hospital. Não tinha nenhum sinal de contração, nem de dilatação, então decidimos juntos que iriamos esperar até amanhecer e ver o que acontecia. Fiquei na maternidade e o Douglas foi para casa buscar a bolsa do bebê, que no meio da correria acabamos esquecendo. Combinamos dele ficar em casa até eu começar a sentir contração, pois eu estava em enfermaria com outra mulher e ele não podia ficar comigo. Exatamente às 2 horas da madrugada, comecei a sentir as primeiras contrações fortes e pouco espaçadas, começaram de 7 em 7 minutos, e decidi ligar para o marido, médico e doula quando elas ficassem de 5 em 5 minutos.

Às 4 da manhã já estavam de 5 em 5 minutos e bem doloridas (liguei para todos eles). Assim que o Dr. Edson chegou, mediu minha dilatação e estava com 3 centímetros e muita dor. Logo a Renata chegou e fui para o chuveiro (água quente e massagem aliviam muito) e as contrações ficando cada vez mais fortes (eu achava que não, mas gritei) e cada vez menos espaçadas, já estavam de 3 em 3 minutos e eu pedi arrego, água, socorro (como preferirem).

Para minha sorte, das 6 as 07h40 da manhã, a dilatação foi de 3 para quase 8 cm (estava para nascer). Já sentia contração com vontade de fazer força, sentia ele se empurrar (é demais, parece que estão puxando o bebê com um desentupidor e dá muita vontade de empurrar! É mágico!).

Fomos para o centro cirúrgico (a parte chata do parto!), a pediatra de plantão exigiu que o parto fosse lá. Chegando lá, foram três contrações boas, gostosas de sentir, aquelas em que você já sente o bebê e sabe que está conseguindo que o parto está chegando ao fim e logo vai conhecer e pegar o seu bebê no colo. Detalhe, o papai estava filmando tudinho, apoiando a mamãe e vivendo um momento único que jamais havia vivido antes.

Na terceira contração eu senti queimar, mas foi muito rápido, fiz uma força enorme e ele saiu de uma vez (como diz minha vó, escorregou feito sabão hahahaha!). Alegria sem fim, só escutei o chorinho dele e a risada do papai. Às 08h30 da manhã, do dia 12 de setembro, estava em meus braços a coisa mais linda e mais pura do mundo, meu pequeno Enrico com 2.800kg e 48cm de pura gostosura. Graças a ele e a Deus, vivi a melhor experiência da minha vida, que achei que talvez não seria capaz, que não daria conta, que sentia medo. Junto com ele eu consegui e foi perfeito. Meu anjo, por você eu faria tudo de novo.

Relato escrito por Dayane Camargo, 28 anos, de Maringá-PR, sobre sua experiência de tornar-se mãe pela primeira vez. A Emma Fiorezi agradece pelo texto e imagens cedidas à esta publicação. Parabéns pela chegada do Enrico! Que ele traga luz e felicidades à esta família linda.

1 Comment

  1. lindo. Nao tinha visto ainda :) Parabens

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